Dizem que não se pergunta a idade a uma mulher mas Ela leu num dos seus escritores preferidos que a mulher que não tem medo de dizer a sua idade é a mais destemida. Desde essa altura que não tem medo de contar os seus anos, mesmo que não saiba lidar com eles.  Tem vinte e sete. Tem olhos curiosos e muitas perguntas que sempre a fizeram uma pessoa desconfortável para quem não gosta de responder a porquês. Gosta de se proteger dando-se a conhecer primeiro e apenas com aquilo que quer. Mede pelos dedos os amores que teve na vida e há muito que deixou de contar os beijos que deu a desconhecidos. Diz que é pelo beijo que reconhece as almas e que poucas são as que se cruzaram com a dela. Não gosta de magia e por isso detesta truques de ilusionismo – nunca gostou de pessoas que desaparecem. Gosta de acreditar em algumas ciências duvidosas que lê em artigos de revistas. Por exemplo, de que as nossas células se substituem totalmente de 7 em 7 anos e que isso implica que daqui a 7 anos será como se tu nunca lhe tivesses tocado. É uma dramática dentro do optimismo sombrio: não é que não acredite em finais felizes, simplesmente não lhe acontecem a Ela.

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