Entrei devagar e em bicos de pés para não te acordar ainda mais. Tinha vestido uma roupa à pressa para chegar e vestir logo o teu pijama. Era muito cedo e quando entrei estavas na cama embrulhado nos lençóis e com o quarto às escuras. Debrucei-me em ti e puxaste-me para o teu abraço. Quando nos apaixonamos todos os clichés são verdades incontestáveis e nunca duvidei que o teu abraço fosse o melhor lugar do mundo. De todas as verdades incontestáveis que me disseste as que mais gostei foram as que me dizias ao ouvido. Até quando me cantavas a nossa música. Quando cantámos os dois, era madrugada e vínhamos da discoteca e antes de nos despedirmos cantámos um para o outro a música que nos chamava loucos. E todas as noites em que tocava à tua porta e a encontrava já aberta  eram noites ganhas em saber que me esperavas. Era noite cerrada e a discoteca tingia-nos de cores azuladas, arroxeadas e em sombras enigmáticas quando me leste os lábios a dizer que te amava e me apertaste contra o teu peito. Não havia lugar mais certo do que o teu abraço. Também nunca esqueci as noites em que adormeci no teu sofá e acordei contigo a tirar-me os óculos e pousá-los longe enquanto te embalavas no meu corpo e, invariavelmente, deixavamos os filmes a meio. Ou quando me ligavas, me procuravas e querias estar comigo e me dizias as mais bonitas verdades. Sabes aquela história das galáxias e de nos pertencermos intemporalmente por fazermos parte da mesma estrela? Se calhar estamos no universo errado. Ou então só nos resto o pó de estrelas que nos pertence. Gostava de ter vivido isto sendo o ela foi para ti. A maior tristeza é ter vivido tudo contigo sem tu o teres feito comigo. Gostava de ser ela para que fosse eu quem não quisesses deixar partir.

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