Há um lugar em nós onde não gostamos de ir. É, por norma, um lugar escuro, um recanto qualquer que se acomoda entre as costelas, os pulmões e o coração. Digo isto porque quando lá vamos sufoca-nos a respiração e nos aperta o coração, parece até que ele estrangula na circulação do sangue a bombear descompassado. Não sei como se chama esse lugar, mas é um lugar de infinitas possibilidades e de respostas, das mais negras e puras que podemos encontrar. Acho que é o local das verdades que já sabemos mas temos medo de as confrontar. Quando lá vamos sabemos que, inquestionavelmente não haverá retorno. Uma espécie de catarse, sem ser bem uma apoteose. A última vez que lá tinha ido foi quando me perguntei se te devia beijar naquela noite, no teu sofá branco. A resposta pareceu-me clara, luminosa e inquestionável. Sabes aquela história das coincidências?

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