Repetem-se os erros a medir pelos dedos as vezes que dissemos ser a última vez. E revemo-nos em elevadores, a fechar portas, a bater as portas dos carros e na nossa cabeça era a última vez.
Poucos – ou se calhar todos nós – temos a capacidade de renascer dentro das perdas que nos acontecem e só por este esquecimento (certamente desumano) conseguimos abrir novamente as nossas inseguranças e nos mostrarmos em carne crua. O coração sangrento, a latejar em carne viva para aqueles a quem damos o direito e a honra de nos ver a sangrar – a ser humanos.
Outras vezes temos a certeza de que vale a pena mostrar que as costelas não se fizeram gaiola e que o coração continua a conseguir bater livremente e desritmado – por ti.
Às vezes temos a certeza de que vale a pena medir os pros e os contras. E esquecer os contras. Pensar que são mais as coisas que nos unem do que as que nos separam e utilizar todos os clichés que tivermos para persistir no que acreditamos. É qualquer coisa como aquela frase que nos diz…e se cairmos…mas, oh…e se não cairmos?
Sou muito fácil de ler – não sei se literalmente – mas na vida. Não há olhos que não consiga esconder e os meus nós na garganta desenlaçam-se rapidamente em lágrimas. Sou mais de emoções do que de racionalizações e gosto da carga que dou às pessoas e, no fundo, às experiências. Tenho manias e descalçar-me onde quer que me sinta confortável é uma delas. São jeitos e feitios mais do que características e sabes que sempre que palmilhar a tua casa descalça me sinto em segura. Da mesma maneira que sempre que te perguntar se queres que cozinhe te estou a dizer que me preocupo e que te vou dar tudo o que conseguir. Ou quando te sentares no chão e eu encostar-me a ti, como gostas, é a minha maneira de te dizer que sei, que estou atenta e quero estar para ti como quero que estejas – e fiques – para mim.
Não estamos em tempo de jogos – porque sempre odiei as escondidas e a apanhada. É tempo para ficar, experimentar os dias com as coisas que nos fazem feliz, como tu fazes feliz.

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