Somos pó da mesma estrela e sei que nos pertencemos para além do universo. O tempo aqui não existe porque a nossa intemporalidade persegue-nos para além da existência. Sinto isso na forma como nos alinhamos na respiração, no olhar sereno que em que pousamos a profundidade do que temos em comum. É isto que significa quando dizes que tenho os olhos grandes e que entram dentro de ti. São metades de ti que se encontram na linha ténue do reconhecimento. E por isso a ferida não sara e o tempo não cura, porque ele existe em nós para além da matéria, da mesma forma que os átomos em que nos movimentamos em ondas sonoras nos chegam em bonitas palavras de amor. Eu vejo como olhas para mim. A comunicação que criamos nessa forma vai para além do espaço em que existimos. E é por isso que os porquês doem – obrigam-nos a crescer nas respostas que temos medo de dar ao outro. Não se pode dar um nome a um universo novo, mas podemos criar as nossas constelações e saber que este tempo nos deu um alinhamento cósmico.  Porque se partires levas metade de ti e de mim, em estrelas desfragmentadas.

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