Ele não sabe que as tatuagens dela estão por baixo da pele. E não sabe que nunca ninguém as viu nem sentiu, nem soube que existem. Às vezes são cornucopias requintadas, outras vezes cicatrizes dissimuladas. Ele não sabe e por isso não percebe – ou não quero que perceba? Ele não sabe que o medo de perder é maior do que o medo de ter mais linhas tatuadas por dentro. O problema de amarmos alguém é esse: dar uma coisa de nós que às vezes não temos e a verdade nua e crua das tatuagens por baixo da pele dá medo e poder, medo do feio, medo de dar medo, medo das tatuagens nos tirarem a luz e nos tornarem pessoas, só pessoas com tatuagens por baixo da pele.  E se não gostar das minhas tatuagens?

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