Eu contava as vezes que estávamos juntos. Lembras-te? Quando te fui buscar à escola onde estavas a tirar o curso à noite foi a terceira vez que saímos juntos. Eu ainda fui a casa a seguir ao trabalho, mudar de roupa e pôr uns saltos altos. Peguei no carro, escolhi uma música para dar sorte e ouvia-a em loop até entrares. Chovia muito e nas notícias diziam-nos para não sairmos de casa e termos atenção às zonas costeiras. Atravessámos a marginal com as ondas a lamber no alcatrão e esquecemo-nos que as tempestades nos matam. Foste tu que escolheste o restaurante quando ainda tinha nos ouvidos os conselhos dos nossos amigos sobre não termos futuro juntos.

Pediste sangria para dois e provaste metade da minha massa. Eu já não conseguia tirar os olhos de ti enquanto tentava amarrar as expectativas naquela âncora das nossas inseguranças com o peso dos  ”nãos” dos nossos amigos. Falaste muito e era muito fácil falarmos, eu não estava preocupada a rir nas alturas certas porque os nossos espaços eram todos preenchidos. Deixaste-me tirar a nossa primeira fotografia, em que estamos os dois de casaco igual, mais tarde seriamos gozados por invariavelmente nos vestirmos de forma parecida. Lembras-te? Na nossa primeira fotografia estamos os dois a rir para o espelho e, como medi previamente, mesmo de saltos ficas mais alto. Perfeito.

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