Nunca consegui escrever sobre ti. Até hoje. E é hoje porque estou pronta a perder-te para sempre. Hoje guardei – de vez – a peça da pandora que me deste com a tua inicial. Tirei da carteira as nossas últimas fotografias e tirei-te de uma vez dos números de marcação rápida. A minha ideia é tirar-te os mais possível dos meus olhos e deixar que o tempo e a memória se esqueçam que um dia palmilhaste os meus dias e pautaste as minhas horas com sorrisos. Hoje tudo o que nos aconteceu, para o bem e para o mal, na saúde e na doença, a alegria e a tristeza e todos os outros pólos que criámos na nossa história, desaparece. Os teus abraços, os teus risos na minha nuca, o sol a passar no teu corpo a medir o tempo que passávamos a criar memórias juntos.

Hoje é a primeira e última vez que escrevo sobre ti porque depois disto não há nada.

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