O dia que eu mais gostei foi naquele final de tarde quando eu já tinha rendido os meus braços à desilusão e achei que não vinhas mais mas apareceste a buzinar para que eu descesse. Levaste-me a comer três sobremesas diferentes num restaurante italiano. Mas podemos mesmo comer só as sobremesas, perguntava-te eu, muito miúda, a sentir-me a quebrar uma lei. Disseste que tinhas uma surpresa a seguir e levaste-me ao teatro. Estavam lá amigos teus e foi a primeira vez que não me largaste e sorrias muito e os teus olhos estavam muito castanhos e risonhos com aquelas rugas meigas que tu fazes. Perguntaram-nos se queríamos ir jantar e tu disseste-lhes que já tinhas planos. Levaste-me a jantar a um restaurante japonês. Tu odeias comida japonesa e deixaste-me escolher tudo! Quando entrámos no táxi, vendaste-me os olhos e levaste-me ao cinema. O dia não acabou nunca, prolongou-se até ao dia em que te foste embora para o outro lado do mundo sem bilhete de volta. Mas sabes, devíamos ter ficado ali, naquele dia. Aquele dia foi perfeito, é aquele dia que eu quero recordar sempre. Depois das nossas discussões e horas à espera no computador, com as chamadas a cair e o vídeo a congelar, as conversar cortadas a meio, as horas trocadas, o sono acordado a meio da noite para te apanhar a meio da tua manhã, os desencontros e todas as frustrações de te teres ido embora. Era naquele dia que devíamos ter ficado, foi ali que fomos perfeitos, quando me disseste que não me querias levar já a casa.

Sem comentários:

Enviar um comentário