Demorei exactamente duas horas e quarenta minutos a escolher o que vestir para o jantar que eu e tu nunca tivemos. Escolhi o vestido que te mostrei antes de comprar, aquele que dizias que era verde e eu teimava ser azul. Afinal nenhum de nós tinha razão, há um nome específico para aquela cor mas nunca tive oportunidade de te dizer e agora já não faz sentido. Lembrei-me de não levar uns saltos muito altos porque ficava praticamente da tua altura. O restaurante era o nosso, o dia também. Troquei o vestido e os saltos.

Saí. Tinha gravado na cabeça que me disseste que podíamos ter outras pessoas. Não somos nada. E desde aí fazia questão de sair com outras pessoas, sem nunca me apetecer verdadeiramente. Demorava sempre mais de duas horas a escolher o que vestir porque, na verdade, não queria escolher nada. Nunca te disse que saí com outras pessoas e acho sinceramente que nunca pensaste que saí. Na verdade estava só a vingar-me de ti para nunca saberes. Se calhar porque me fazia muita confusão que não sentisses nada se eu te contasse. Foi também por isso que deixei de te fazer perguntas. Sabes, a última pergunta que te fiz foi se ainda te apaixonavas com o meu riso. Encolheste os ombros. Nunca gostaste de perguntas.

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