Há uma coisa que nasce connosco que se chama genética. Disso percebo pouco se não mesmo nada, sei que é qualquer coisa que se passa de geração em geração, como os anéis de noivado. Só que é uma coisa que está dentro de nós, como a cor dos olhos. Mas eu acredito que tem de haver mais. Por exemplo, a minha mãe diz muitas vezes que tenho expressões da minha avó mas nunca a conheci bem nem lhe ouvi as expressões. Digo muitas vezes que sinto as pessoas e que sei o fim das minhas histórias com elas. Simplesmente sei. E esta é uma herança que a minha avó me deu. Eu sei que é verdade porque eu sei mesmo o final das histórias e conheço as pessoas antes das pessoas se deixarem conhecer. Ás vezes é uma bênção, outras uma maldição. Mas é uma herança. Não sou uma pessoa religiosa, a minha filosofia é não acreditar em nada. É por isso que muitas vezes não dou ouvidos à minha herança ou, por outras palavras, à minha intuição. Eu sei o fim. Sei-o desde a primeira vez que falo com alguém. E mesmo assim caio. É quase como se gostasse de fazer experimentações sucessivas à minha intuição até finalmente poder dizer que acredito nela. É por isso que cada vez que a minha intuição me tira o chão, ao mesmo tempo me dá uma chapada que me acorda. Podia ter-se evitado muita coisa, se não mesmo tudo.

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