- Se o próximo semáforo ficar vermelho, beijo-te.
Ás vezes esquecemo-nos de quem somos, outras vezes não sabemos quem queremos ser e continuamos a procurar. Ás vezes eu não quero saber e são estas as melhores coisas, a escolhas que tomamos que não têm futuro.
Apanhámos todos os sinais verdes, um quase sinal divino de que as coisas deviam ser deixadas tal como estavam, que não estávamos feitos um para o outro, que as vidas se iam estragar, que não: que o passado não se pode repetir. Mas o último semáforo para onde íamos estava vermelho. Estava vermelho quando lá chegamos. Não amarelou até avermelhar, não foi uma tática para conseguir que o destino nos junte. Foi o próprio universo que quis que aprendêssemos a lição de que o passado fica onde está.
Olhaste para mim, à espera. À espera que eu cumprisse a promessa no teu ar gozão de quem sabia que eu ia falhar. A minha aliança brilhava à luz dos candeeiros públicos quando me aproximei da tua boca. Não há nada mais bonito do que o abismo.

(continua)

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