É o brincar com o fogo que me faz gostar de livros. Todas as pessoas que escrevem, escrevem sobre si mesmas. As pessoas escrevem para salvar a vida de alguém – e provavelmente a sua. Eu acho que todas as obras são autobiográficas, mesmo quando escrevemos sobre os outros.
O problema é que nem é uma cura, é um prolongamento – e às vezes um agravamento – da doença. É um processo, e como tal, precisa de tempo. Mas ao contrário do tempo que sara tudo,  este não é um tempo de cura. É um tempo para doer, aquele em que o batimento do coração é um latejar por sangrar e não um bombear por oxigénio. É um processo que dói, mas é mesmo para doer. Devagar. E não é sempre, porque nem sempre dói. E eu só escrevo quando dói. Só escrevo quando é para doer, e para doer só se escreve do que se sente. As pessoas que escrevem só o fazem com cicatrizes nas mãos e as que leem só o fazem com cicatrizes na alma.

2 comentários: